DEATH NOTE


Com uma legião de fãs que aumenta a cada ano, Death Note (tanto o anime quanto o mangá) fala sobre mortalidade, justiça e livre arbítrio, dentro de uma interessante trama investigativa que traz personagens únicos com motivações obscuras e que nos mostram uma nova face a cada página – ou a cada episódio. A verdade é que Death Note é uma trama muito mais complexa do que aparenta, talvez por esse motivo tenha conquistado tantos fãs ao redor do mundo. 

Mas parece que a Netflix não levou tudo isso em consideração quando decidiu criar o live action, já que não se aprofundou em nenhuma das essências de Death Note, e fez um filme vergonhoso para uma plataforma com tantas obras dignas de aplausos. 

Para mim, que sou super fã de Death Note desde que tive o prazer de ler o mangá em 2012, o filme pode ser a adaptação de QUALQUER coisa, menos da obra original, já que malmente os nomes dos personagens coincidem com o mangá. Ele foram fiel ao visual do Ryuk, apesar dele nem se mexer, fazendo parecer que eles nem usaram algum efeito no shinigami, e trazerem alguns trejeitos do L dignos do anime, mas APENAS isso pode ser considerado uma “adaptação” da obra orignal. 


Death Note tem como personagem principal o Ligth (ou Kira) que é um jovem sociopata que mata sem escrúpulos, mesmo que esteja matando bandidos inicialmente. Ele não pensa duas vezes antes de usar o pai e a Misa como escudo para sua identidade secreta. As coisas tomam um proporção ainda maior quando L, um jovem brilhante que começa a investigar o caso aparece. Com trejeitos estranhos, L busca Kira de uma forma quase obsessiva, enquanto descobre o que é uma amizade verdade com o Ligth – sim, o bandido que ele tanto procura. Claro que estou me referindo ao Anime, já que o filme gira em torno do romance (oi? De onde vocês tiraram um romance dos mangás?)  do Ligth e da Mia (que deveria se chamar MISA), e pouco fala sobre o peso do caderno da morte na sociedade e na vida de qualquer ser humano. 

O roteiro fraco não nos permite conhecer nenhum dos personagens verdadeiramente a fundo, muito menos nos conectar com o romance que se desenrola em apenas quinze minutos de filme. Então fico me perguntando, como eles queriam que nos impactássemos com o final do filme? O que exatamente eles queriam nos fazer sentir? 

Isso sem falar na direção de Adam Wingard, que faz com o que filme pareça inicialmente uma comédia besteirol, mas tão besteirol que me deu náuseas e não vontade de rir, dificultando completamente a pessoas que tiveram o primeiro contato com Death Note através desse filme (podemos realmente chamar assim?) a definir sua identidade. A trilha sonora completamente equivocada, colocando uma música pop romântica na última cena – que supostamente seria a de maior tensão – fazendo com que o clima se esvaísse completamente. 


O fato deles terem americanizado os atores, para mim não é nenhum problema, mas além de Lakeith Stanfield, que conseguiu reproduzir alguns trejeitos do detetive L, não achei que nenhum dos outros atores conseguiram se sobressair com algum sucesso desse filme. O que prejudicou muito a história, já que o jogo de gato e rato entre L e Kira acabou sendo completamente fracassado, devido ao fato da inteligência sensacional dos personagens terem sido reduzidas a nada. 

Não sei como posso continuar falando sobre essa adaptação, já que tudo foi uma grande decepção para mim. Entendo que quando se tratar de adaptar algo para um filme de uma hora e meia sejam necessário algumas mudanças, mas não são apenas as mudanças que atrapalham o filme, e sim o fato deles extraírem toda a essência original, fazendo com que tudo girasse em torno de um relacionamento amoroso que eles se quer se aprofundam. 

Meu conselho a vocês que nunca tiveram contato com a brilhante obra de Tsugumi Ohba e Takeshi Obata, ou até mesmo vocês que já tenho lido ou assistido as obras originais é: não percam tempo assistindo ao filme da Netflix, dêem preferência a (re)assistir o anime que também está disponível na plataforma.


 
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