O QUE EU FAÇO?


Você percebeu que quando está dirigindo, coloca a mão em minha perna e a deixa ali parada, apenas aquecendo minha pele? Que eu estico a mão até sua nuca e fico fazendo carinho em seu cabelo? Que quando o sinal fecha, você sempre me olha e sorri abertamente? Não sei exatamente como essas pequenas coisas começaram entre nós dois, mas agora fazermos de uma forma tão involuntária e fico imaginando se isso faz seu coração acelerar também, sabe? Porque o meu dispara dentro do peito e acho isso um pouco preocupante. Eu sinto um medo terrível quando isso acontece, quando percebo que me sinto em paz ao seu lado. 

O problema não é você. Não é nós dois. O problema sou eu. Eu não quero me envolver, porque meu coração não vai aguentar ser machucado outra vez, eu ainda estou costurando alguns retalhos nele desde o meu último relacionamento, ainda estou tentando fazer ele ficar inteiro outra vez e entre nós dois as coisas são muito complicadas. Eu não quero estragar as lembranças que tenho de você em minha vida. Será que você se lembra de tudo? Porque eu nunca esqueci. 

Eu tinha onze anos e você tinha treze, sua mãe me convidou para passar as férias em sua casa, para eu ficar com sua irmã e fazer companhia a ela, afinal, vocês tinham acabado de se mudar para Salvador. Consigo me lembrar perfeitamente das coisas que aconteceram naqueles dias, lembro que vocês tinham dentista em Feira de Santana e que eu encostei a cabeça em seu ombro e dormi durante a viagem. Lembro de nós dois sentados juntos no banco da praça, da  gente andando de patins de um lado para o outro, de quando você pegou em minha mãe pela primeira vez, elas estava toda soada e eu estava bastante nervosa. Lembro de quando você me perguntou se eu queria namorar com você e eu timidamente balancei a cabeça e corri para contar a sua irmã. Lembro que no nosso primeiro beijo, estávamos sentados na mesa de sinuca do salão de jogos, seus amigos colocaram Cinco Minutos do RBD para tocar por que eu tinha pedido e nos beijamos de forma desastrada. Lembro que nas noites, eu me sentava ao seu lado em seu quarto e você colocava RBD e Floribella para tocar, porque eram as coisas que eu mais ouvia na época. E que em uma tarde, estávamos andando de patins na quadra sozinhos, passamos pelo corredor da piscina e você me perguntou “eu não mereço nem um beijinho?” e eu timidamente encostei meus lábios no seus e corri. 

Você foi o primeiro menino que eu beijei, o primeiro menino de quem eu gostei e até cheguei a escrever sobre você em meu diário. Nas minhas lembranças de infância, você sempre esteve presente como um príncipe. Sempre nutri um enorme carinho por você, então me diz, o que eu faço? 

Por um lado tenho medo de me arriscar e que tudo acabe ruim. Tenho medo de te entregar meu coração e que ele volte ainda mais retalhado. Tenho medo de estragar essas lembranças doces que guardei com tanto carinho. Mas por outro lado, quero te entregar as paginas em branco da minha vida, quero encher elas de novas lembranças com você, quero ver onde isso tudo vai dar. Então me diz, o que eu faço?


 
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