PRECISAMOS FALAR SOBRE RELACIONAMENTO ABUSIVO



Essa semana houve uma enchente de noticias sobre assedio sexual e agressões físicas. Primeiro o caso do ator José Mayer e depois a briga entre Marcos e Emilly no Big Brother Brasil. Eu não vou ser hipócrita aqui e dizer “Não assisto ao BBB, só ouço falar”, passei muitos anos sem de fato assistir ao BBB, mas esse ano acabei começando a assistir, peguei o programa no meio e não assisto todos os dias, não sei de todas as fofocas que acontecem, inclusive, apenas hoje vim de fato assistir a briga entre o casal, mas eu li tanta coisa absurda na internet que não consegui me calar, preciso falar sobre esse assunto.

Um relacionamento não é abusivo apenas com agressões físicas, agressões verbais e psicológicas também estão inclusas. Você já pode ter sido vitima de um relacionamento desse tipo e nem mesmo ter se dado conta. Muitas mulheres levam anos para conseguirem sair de um relacionamento assim e algumas nunca conseguem.

Eu nunca sofri agressões físicas, mas como eu disse antes, não é isso que define um relacionamento abusivo. Já cheguei a perder a conta de certas coisas que me aconteceram, de quantas mentiras me foram contadas, de quantas vezes pedi desculpa mesmo sabendo que eu não estava errada.

Sabem quantas vezes eu disse “chega, não quero mais isso”? E mesmo tendo consciência dessas coisas, eu não saia dali. Muitas amigas minhas achavam um absurdo eu perdoar e aceitar certas coisas, enquanto outras achavam que eu vivia em um relacionamento perfeito, isso tudo porque eu sempre justificava seu comportamento, sempre ficava calada e fingia que nada acontecia, sempre achei que a culpa de todas as brigas e humilhações que eu sofria, era minha.

Quantas vezes ele “zombou” de mim de forma constrangedora na frente de amigos e família? Quantas vezes lhe contei um sonho e ele o minimizou? Quantas vezes ele tentou controlar meu comportamento? Quantas mentiras ele me contou a respeito de pessoas que eu gostava, apenas para me afastar delas?
Deixei de falar com amigos, me afastei de pessoas que eu gostava, passei a acreditar, ou melhor, aceitar suas mentiras esfarrapadas, deixei que ele me comparasse, que ele falasse “porque você não se veste como fulana?” “não acha que precisa emagrecer um pouco?”, me tornei uma mulher diferente do que era, uma mulher que tinha ciúmes da própria sombra, que procurava coisas no celular, Facebook, nas mensagens, e que sempre achava algo que me deixava mal.

Eu terminei uma, duas, três vezes. Os términos duravam dias, as vezes, apenas horas, mas eles não eram importantes, eu sempre voltava, sempre acreditava no: “me desculpe, vou mudar”. Aceitei as flores, os presentes, o encontro, o abraço e os beijos e em poucos dias tudo voltava a ser como antes. Tudo era solitário, doloroso e assustador.

Eles nunca me bateram, mas isso não diminui as coisas. Eu falei no plural, porque não estou falando apenas de um relacionamento que tive e sim de alguns que já tive. Obviamente que às vezes, um caso isolado não é menos grave, mas não deixa de ser um abuso.

Eu fiz esse texto por um único motivo, não acreditei quando li as pessoas falando que a culpa das agressões da parte do Marcos eram da Emily. Não estou aqui para defender ninguém, estou aqui apenas dizendo que muitas mulheres se culpam, ou culpam outras pessoas pelo que acontece com elas mesmas. Não conheço nenhum dos dois, mas posso dizer uma coisa, agressão nunca é a solução, e mesmo que ele não tenha batido nela, aquilo foi uma agressão sim!


 
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