RESENHA: FUN HOME, UMA TRAGICOMÉDIA EM FAMÍLIA - ALISON BECHDEL

Título: Fun Home, uma tragicomédia em família.
Autora: Alison Bechdel (texto e arte)
Editora: Conrad Editora
Páginas: 228
Classificação: ★★★★
Ano:  2007
Adicione: Skoob

Fun Home é um dos maiores fenômenos literários desta década. Eleito o livro do ano em 2006 pela revista Time, figurou na lista de livros mais vendidos do The New York Times e faturou diversos prêmios (entre eles, o Eisner Awards de Melhor Não-Ficção). O álbum é um livro de memórias, onde a quadrinista Alison Bechdel revisita a sua infância e adolescência - especialmente a descoberta de sua homossexualidade e a difícil relação com seu pai Bruce Bechdel. Homossexual não-assumido, Bruce passava mais tempo cuidando e reformando o casarão vitoriano que moravam do que dando atenção à família.
Com o traço limpo e detalhado, complementado por toques aquarelados (sempre num tom de verde), Fun Home é uma obra-prima dos quadrinhos - um livro inteligente e revelador, ultrapassando gêneros e utilizando todo o potencial que a sua própria linguagem oferece.
Com forte teor literário, Alison conduz a história com maestria, fazendo referências a inúmeros clássicos da literatura universal. Sua relação com o pai a faz lembrar do mito de Ícaro e Dédalo, a sua mãe, atriz amadora, ora é um personagem de Henry James, ora de Oscar Wilde. A proximidade de Alison com as letras vem do berço: Bruce era professor de literatura em Beech Creek, a pequena cidade onde a autora cresceu. A outra ocupação de Bruce era cuidar da casa funerária da família - funeral home, em inglês - que, abreviada para fun home (casa da diversão) pelas crianças, dá título ao livro.
Mergulhada em memórias pesadas da sua infância: brincadeiras com os irmãos na casa funerária pertencente a sua família, um pai apaixonado por decoração, jardinagem e literatura clássica, e uma mãe que divide seu tempo em sua tese de mestrado e exercícios de dramaturgia. Juntando a própria historia e sua arte, Alison Bechdel nos presenteou com Fun Home. 

Em sua adolescência, Alison percebe que sente atração por garotas e se descobre lésbica, ao contar a mãe à mesma lhe confidencia que seu pai, Bruce, também é gay. Alison se surpreende naquele momento, mas a surpresa aumenta ainda mais quando seu pai morre de forma violenta depois dessas revelações. 




Alison então mergulha fundo em investigação pessoal, como cartas, documentos, registros policiais entre outros. Incluindo aí as histórias contadas por sua própria mãe, apoiadora em um primeiro momento da decisão da filha em contar a história da família, mas que se confessou traída com certos segredos ali revelados. Ela passa a analisar com amor e ódio a figura tão contraditória que era o seu próprio pai. Descobrindo então sua própria formação e o quanto uma família disfuncional contribui para fazer dela quem ela é.

Sinceramente, eu gostei muito do livro. Tanto que apesar de gostar muito de quadrinhos, queria um pouco mais da história. A Alison me conquistou e fiquei o tempo inteiro pensando em seu pai. Como deve ter sido para ele esconder quem ele realmente é por causa do preconceito das outras pessoas? Casar com uma mulher, ter três filhos e ter que se esconder? Podemos perceber que ele ama a esposa, de uma forma diferente, mas ama, assim como os filhos, mas que ele é daquele jeito por ter que viver "escondido".



O livro é ótimo para te fazer refletir sobre diversas coisas, principalmente sobre aceitar as pessoas do jeito que elas são. Fico me perguntando o tempo inteiro que talvez, se o pai dela tivesse se assumido alguns anos depois do casamento, talvez tudo tivesse sido diferente. Talvez ele até estivesse vivo até hoje.

Você é minha mãe?, é meio que a continuação de Fun Home, nele a Alison relata sobre o relacionamento dela com a mãe. Espero que tenham gostado da resenha ♡



 
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