ENCONTREI A FELICIDADE


Em 2015 minha vida deu um giro de 360º, terminei um namoro de quatro anos, tranquei a faculdade de jornalismo – faculdade dos meus sonhos – quando estava entrando no terceiro semestre, me afastei de pessoas que não me agregavam em nada, comecei a sair e conhecer mais um pouco do mundo à minha espera. Eu queria me reencontrar, tinha muito tempo que eu não era eu mesma. Cada dia que passava, eu ficava mais distante de mim mesma e chegou uma hora em que eu não era mais feliz. Eu fazia as cosas no automático, ia para faculdade, estudava, tirava boas notas, saia com os amigos, saia com o tal namorado, mas simplesmente não estava vivendo. Tanta coisa me incomodava e eu simplesmente queria gritar um basta e mudar de vida. Foi o que eu fiz.

Depois que terminei o namoro, eu decidi que não queria namorar tão cedo em minha vida, queria passar anos e anos sendo solteira e tendo a liberdade que eu tinha, cheguei a pedir a minha amiga que me internasse em um hospício caso eu começasse a namorar com alguém. Eu estava voltando a me reencontrar, conhecendo pessoas que tinham algo comum comigo e fazendo novas amizades, foi quando fui ao aniversário de um ano do meu primo/irmão e o reencontrei...

As coisas eram engraçadas, porque ele tinha falado comigo no Facebook algumas semanas antes e – por incrível que pareça – gostávamos de muitas coisas iguais e tínhamos assunto. Não pensei que teria assunto com ele, apesar de sermos primos - SIM, OK? SOMOS PRIMOS! - tinha anos que não nos falávamos e ele estava ali, puxando assunto. E o pior de tudo é que eu estava gostando. Estávamos conversando, flertando um com o outro, mas depois daquele dia não nos falamos mais.

Nota importante: ele vai afirmar que não me chamou para conversar depois porque eu lhe dei um vácuo no momento exato em que ele me chamou para sair. Por outro lado, eu vou afirmar que apenas lhe dei um vácuo porque estava com alguns amigos em casa, e uma treta apareceu justamente nesse momento, apenas por isso demorei tanto para responder. É importante deixar claro que EU ESTOU CERTA apesar dele discordar disso. 

Então quando eu o reencontrei no aniversário do meu – nosso – primo, fiquei meio sem saber o que fazer. Uma outra prima, que estava por dentro das conversas e de algo que aconteceu em nosso passado, tratou de sorrir e começar a jogar um para cima do outro. “Sente nessa cadeira, Lu. Eu quero sentar naquela” – disse ela ao me empurrar para cadeira ao lado dele e quase me fazer cair no meio da festa. Mas o que importa é que conversamos bastante, nos divertimos bastante e quando ele precisou ir embora me despedi com a seguinte frase: “Você está me devendo um cinema”. 


Aquelas poucas horas que passamos juntos, por mais que tivessem dezenas de pessoas a nossa volta e que não ficamos sozinhos em nenhum momento, eu me relembrei de coisas lindas do passado quando eu era apenas uma garotinha de onze anos e ele um pré-adolescente de treze. Fui passar umas férias na casa dele, um condomínio aqui em Salvador mesmo, nós íamos para a piscina, andávamos de patins, brincávamos e a noite ele colocava Floribela e RBD para eu ouvir em seu computador. Os dias foram passando, eu fui ficando apaixonadinha por ele, ele por mim. Ele me pediu em namoro e passamos boa parte das férias andando de patins na quadra de mãos dadas, isso quando não estávamos com as outras crianças do condomínio ou com a irmã dele. Naquelas férias, depois de alguns dias de namoro, dei o primeiro beijo da minha vida. Eram lembranças bonitas que sempre guardei com carinho, mas depois daquelas semanas, acabamos nos afastando bastante e deixando de nos falar. Não brigamos, a vida apenas aconteceu. 

Nota importante: Depois daquelas férias, minha prima - a mesma que quase me derrubou na festa - me contou que ele estava afim de outra garota, uma prima de um primo (quantas vezes vou falar primo(a) nesse texto?) que estava passando o feriado com a gente. Por isso e APENAS por isso, terminei por MSN (não que me lembre disso, mas ele afirma que sim)

Depois daquela festa nos falamos outras vezes por mensagem, nós saímos juntos e nos beijamos no cinema, senti um frio na barriga enorme. Não sabia o que era aquilo, nunca tinha sentindo algo assim antes. Quando saímos da sessão não sabia o que fazer, “será que devo dar a mão a ele?”, “Vai ser estranhos se nos beijarmos fora do cinema?”, perguntas rondaram a minha cabeça mas tudo ocorreu bem.

Saímos outras vezes, a família estava enlouquecida. Minha mãe apenas ria quando eu falava “vou sair com Pedro”, minha vó e os pais dele soltavam indiretas sobre estarmos namorando. Mas não estávamos e eu deixava isso bem claro, porque tinha medo de me apaixonar de novo. 

O grande problema é que eu já estava apaixonada, então quando ele viajou para o Rock Rio uma semana depois do primeiro encontro, eu tentei me afastar. Queria parar de falar com ele, não queria mais sair, mas quem disso que isso aconteceu? Apenas grudei no celular e respondia todas as mensagens que ele me enviava, juro por Deus que em uma noite nos dissemos “Boa noite, durma bem” umas trinta vezes. Quando vi o show pela televisão fiquei com o coração a mão, via umas rodas se abrirem e o pessoal fazendo “bate-cabeça” e só pensava “que ele não esteja no meio daquilo”.


Quando ele voltou, voltamos a sair e duas semanas depois começamos o namoro. A família adorou, Pedro era (ainda é na verdade) o menino de ouro, e eu concordo com todos eles. Nosso começo de namoro foi complicado, apesar de nos conhecermos a vida inteira, estávamos nos conhecendo de verdade apenas naquele momento. Mas era incrível que eu podia ser eu mesma, falar dos livros que lia, séries que assistia, coisas que queria fazer. E o mais incrível ainda é que eu gostava de ouvir ele falando sobre aquele jogo de RPG de Star Wars, sobre o cosplay que estava planejando, sobre tubarões ou coisas aleatórias. Nós somos parecidos e ao mesmo tempo nos completamos. 

É incrível encontrar alguém que te faça rir das coisas mais idiotas do mundo, ou que faça um esforço enorme para lhe ouvir falar daquele fandon as três da manhã, leia as fanfics que você escreve, ouça as músicas sertanejas que ele nem gosta e depois em um momento qualquer comece a cantá-las e diz “Só você mesmo para pôr essas coisas em minha cabeça”. Alguém que segure a sua mão e diga “eu estou aqui por você”, e que você sabe que é verdade. Você sabe que ele vai estar ao seu lado para enxugar as lágrimas ou para rir junto. Que você vai ser feliz sempre, porque quando olhar para o lado, lá vai estar ele. 

Eu pensei que não poderia me reencontrar estando em um relacionamento, mas me reencontrei estando em um relacionamento com Pedro. Sou eu mesma desde o começo, não tenho medo de lhe contar minhas inseguranças, de me jogar de cabeça se ele estiver ao meu lado. Claro que nem tudo são flores, todo relacionamento tem espinhos e nós brigamos pelas coisas mais idiotas, nos irritamos um com o outro diversas vezes, mas é tão engraçando como em uma hora estamos brigando e na outra estamos fazendo piadas, nos abraçando e sendo nós dois outra vez. 

Nunca quis me apaixonar por ele, não queria mais namorar, mas o amor simplesmente surgiu em minha vida de uma forma inesperada. E onde nunca imaginei, encontrei a felicidade.


Nunca publiquei um texto meu aqui antes, na verdade, nunca mostro meus textos a ninguém, mas Pedro sempre me pede para ler e a maioria das vezes eu nego, tenho vergonha, não acho que sejam bons textos, só escrevo o que eu sinto e pronto. Mas hoje é um dia especial, hoje é aniversário dele, então sim, eu postei um dos textos que fiz sobre ele, apenas para dizer o quanto o amo e o quanto sou feliz ao seu lado. 


 
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