[FILMES] EU ASSISTI: BATMAN vs SUPERMAN, A ORIGEM DA LIGA DA JUSTIÇA.


Após meses de filmagens e de muito hype, Batman Vs Superman: a Origem da justiça chegou aos cinemas no último dia 24 de março numa tentativa da DC comics e da distribuidora Warner Bros. Pictures de pavimentar o caminho para um possível universo cinematográfico da editora, seguindo a tendência e aproveitando o momento instaurado pela concorrente Marvel Comics. 


Levando em conta a crescente expansão da mídia em franquias de super heróis, seja por filmes, séries ou séries animadas, e observando o sucesso alcançado pela Marvel em integrar essas mídias em um universo só, não iria demorar para que a DC iniciasse o seu próprio projeto. Assim, o filme foi anunciado como uma continuação de Man of Steel na San Diego Comic-com de 2013, mantendo Zack Snyder como diretor, e com roteiro de Chris Terrio (Argo) e David S. Goyer (trilogia Batman de Christopher Nolan).




O trabalho de Snyder em Batman vs Superman: A Origem da justiça era pegar a base estabelecida em Man of Steel e utilizá-la para introduzir os outros personagens da editora para um futuro filme da liga da justiça (com estréia prevista para novembro de 2017), dando enfoque ao maior detetive do mundo. Diferentemente dos outros filmes do Homem Morcego realizados pela Warner, o Batman deste novo filme era marcado pela experiência das duas décadas em que já atuava como vigilante em Gotham quando da aparição do Superman, mais velho e sábio, e, consequentemente, mais desgastado física e psiquicamente. Isso levou a contratação de Ben Affleck para o papel, que o faz muito bem:

  • “Ben é uma contrapartida interessante para o papel que Henry desempenha como Superman. Ele tem a experiência necessária para representar a imagem de um homem mais velho e experiente que Clark Kent, que carrega as cicatrizes de um vigilante calejado, enquanto ao mesmo tempo mantendo o charme que Bruce Wayne emprega por sua presença no mundo.” Zack Snyder, em entrevista à revista francesa Popcorn

O diretor se utilizou de artimanhas já conhecidas por ele para desenvolver o longa e encaixar o novo herói na história de forma a não deixa-la maçante. Em vez de introduzir uma história de origem e fomentar o filme a partir disso, trabalhou a partir de flashbacks do próprio Bruce Wayne, que vão remontando os passos que o levaram a se tornar o vigilante que é hoje, e o porquê da sua repentina repulsa contra o personagem de Henry Cavil.

  
Foto: Reprodução/Google 
Talvez a maior influência para esse novo Batman tenha saído das páginas de “O cavaleiro das trevas”, Magnum opus do legendário Frank Miller. Snyder, fã declarado da obra de Miller, retirou importantes pontos da história para que pudesse incorporar ao filme, utilizando-a como ponto de inspiração, e não como adaptação, no entanto. Elementos como o já citado Bruce Wayne mais amadurecido e desgastado com o tempo, uma rixa e conflito de interesses com o Superman, além da própria armadura utilizada pelo herói para o embate entres os dois beberam dessa fonte.

  • “O que acontece com “O cavaleiro das trevas” nesse filme é que, em 1986, quando a li pela primeira vez, eu fiquei sem chão. Mudou completamente a noção que eu tinha sobre o Batman de uma forma extraordinária. Me lembro de ter ficado tipo “Meu deus, isso aqui é incrível!”. A partir daí, criei uma conexão muito grande com o Batman, como um personagem em si, e até mesmo outros super-heróis no geral.” Zack Snyder, em entrevista à Black Tree Tv

Esse Batman a nós apresentado não é o usual Cruzado Encapuzado a que estamos acostumados. Essas cicatrizes vão muito além do cunho físico, e interferem claramente nas próprias virtudes e ideologias costumeiramente adotadas por ele: temos um batman que não se exime de utilizar armas de fogo ou de assassinar (e explodir) seus inimigos, relembrando muito mais a versão do Batman Thomas Wayne da série Flashpoint, de Geoff Johns. Um dos possíveis motivos para que essa versão do herói seja tão inescrupulosa e violenta seria o assassinato do Robin pelo Coringa, como presumido em passagem do filme, claramente em homenagem a outro crucial arco dos quadrinhos, “Batman: Morte em Família”. 

  
Foto: Reprodução/Google 
No que tange aos aspectos visuais do filme, Snyder trouxe consigo de volta o líder de sua equipe de fotografia, Larry Fong, que trabalhou com o mesmo em filmes como 300 e Watchmen, dando a película seu toque pessoal. Ele também ousou ao trazer para as telas um Batman que possuía um traje diferente das armaduras que vinham geralmente sendo utilizadas, procurando manter a proximidade com a aparência do herói com o das HQs ou até mesmo com a de seus jogos, como a da série Batman: Arkham, em que Snyder também perfeitamente importou as cenas de combate e deu dinamismo a elas, ao contrário do certo mecanicismo das versões anteriores. 

Ao assistir o filme pela primeira vez, o espectador pode assumir a impressão errada, como a que eu tive: talvez a quantidade demasiada de informações faça com que o longa se pareça como um grande trailer de um filme que só acontece no final, e que prolonga e aquece o enredo até os últimos minutos. O filme demora de acontecer de verdade, e quando o confronto entre os dois heróis finalmente ocorre, o desfecho acaba por ser um leve anticlímax sentimental. Focando demais nesse aspecto do filme, aquele que assiste e foi para o cinema esperando um final como o dos quadrinhos de “O cavaleiro das trevas”, pode se decepcionar. 

Foto: Reprodução/Google 
O que acontece é que o confronto entre os heróis, na verdade, é um sub-plot para o verdadeiro clímax do filme: o embate entre eles e uma besta insana criada por Lex Luthor, Apocalipse, criando a necessidade da união de suas forças, aproveitando para introduzir outra personagem importante para a trama e, brevemente, dar um gostinho do que estava por vir nos próximos filmes. A grande influencia dessa parte da história seria o arco conhecido como “A morte e o retorno do Superman”, passada na década de 90, em que o homem de aço vem a sucumbir após combate com o mesmo Apocalipse para, então, retornar a vida graças à tecnologia kryptoniana. 

Introduzir diversos personagens que possuem planos de fundo densos e complexos, dando nova roupagem a eles, e tomar como base obras de arte que marcaram as histórias em quadrinhos como as faladas nesse texto em um filme só não é tarefa fácil, mas Zack Snyder conseguiu realizar esse trabalho com muito mérito. Batman Vs Superman: A origem da Justiça pode não ser o melhor dos filmes de super herói dos últimos tempos, nem revolucionar ao ponto de ser um sucesso absoluto de crítica, mas era o filme que os fãs da DC precisavam para começar a acreditar em um futuro universo cinematográfico da companhia. 

Talvez não seja o filme que merecemos. Mas é o filme que precisávamos neste momento. 

 
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