[Quadrinhos] Resenha: Azul é a Cor Mais Quente - Julie Maroh


Autor(a): Julie Moroh

Editora: Martins Fontes
Paginas: 160
Sinopse: Clementine é uma jovem de 15 anos que descobre o amor ao conhecer Emma, uma garota de cabelos azuis. Através de textos do diário de Clementine, o leitor acompanha o primeiro encontro das duas e caminha entre as descobertas, tristezas e maravilhas que essa relação pode trazer.

Em tempos de luta por direitos e de novas questões políticas, “Azul é a Cor Mais Quente” surge para mostrar o lado poético e universal do amor, sem apontar regras ou gêneros.

Resenha: Desde o ano passo eu ouvia falar sobre esse quadrinho, mês passado o achei na Saraiva e o comprei, mas apenas essa semana resolvi - finalmente - lê-lo. 

A história começa com Emma - a menina dos cabelos azuis - lendo uma carta de Clementine, onde ela pede que Emma vá até a casa dela para ler os diários da época em que se conheceram e começaram a namorar. A medida que Emma lê os diários nós conhecemos a vida delas e conhecemos os pensamentos mais íntimos da Clementine. 

“Emma… você tinha me perguntado se eu acreditava no amor eterno. O amor é abstrato demais, e indiscernível. Ele depende de nós, de como nós o percebemos e vivemos. Se nós não existíssemos, ele não existiria. E nós somos tão inconstantes… Então, o amor não pode não o ser também. O amor se inflama, morre, se quebra, nos destroça, se reanima… nos reanima. O amor talvez não seja eterno, mas a nós ele torna eternos… Para além da nossa morte, o amor que nós despertamos continua a seguir o seu caminho. ”

Clementine tinha apenas 15 anos quando passou por uma garota de cabelos azuis na rua e teve seus sonhos e pensamentos perturbados por essa garota, a Emma. Clementine está na fase da descoberta da sexualidade e do amor, ela começa a sair com um dos caras mais populares da escola e mesmo namorando com ele por seis meses, mas ainda assim ela não consegue parar de pensar na garota dos cabelos azuis e nem de ter os sonhos eróticos com ela, o que deixa Clementine atordoada, já que ela reluta contra seus sentimentos de todas as formas possíveis, principalmente depois de conhecer Emma e conversar com ela.


Emma nunca precisou esconder seus sentimentos ou sexualidade, ela tem uma namorada, um apartamento e é aparentemente feliz com sua vida, mas se deixa envolver por Clementine, as duas começam a sair e depois que enfrentam todas as dificuldades de aceitação que Clementine e o fato de Emma namorar com Sabine, as duas se veem numa situação ainda pior. Clementine é expulsa de casa por ser lésbica. 

Anos mais tarde, Clementine já com trinta anos, em uma reviravolta na história descobrimos que o amor, por maior que seja, não é perfeito e vemos nossas protagonistas tendo que lidar com uma traição. 

“Foi naquele momento que alguma coisa começou a crescer: o meu desejo por ela. O desejo de estar nos braços dela, de acariciá-la, beijá-la, de que ela quisesse isso também, de que ela me quisesse. Agora… nós estamos muito próximas. Eu sinto uma ambiguidade, às vezes opressora… e espero… prendendo a minha respiração junto com a dela. No momento seguinte, sou tomada pela vergonha, eu me odeio e me sufoco com essa bola de fogo que só pede para sair do meu ventre. ”

Azul é a Cor Mais Quente, foi um quadrinho que me tocou muito, eu senti a angustia e a confusão que Clementine sentiu quando adolescente e me emocionei com as dificuldades que ambas passaram para serem felizes.


Espero que tenham gostado da resenha. Beijinhos e até a próxima. 

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